Prática
Flash integrado: uma boa razão para comprar a EOS 7D
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- Publicado em 15-02-2010
As razões para adquirir uma nova câmara podem ser variadas. Que razões existem para comprar uma Canon EOS 7D? Cada caso será diferente, mas o flash integrado pode ser uma excelente razão. Apesar de os "profissionais" supostamente não gostarem, esta unidade de iluminação é mais do que parece.
O pequeno flash de bordo, que por norma não surge em modelos da linha EOS x é uma boa surpresa neste modelo APS-C no formato de sensor mas definitivamente profissional no resto. A Canon EOS 7D, efectivamente, surge no catálogo da marca como a mais feliz das modernas câmaras DSLR do formato APS-C. Podem alguns manifestar o seu desagrado para com a câmara, alguns até encontrar-lhe defeitos que outros consideram virtudes, e vice-versa, mas o consenso parece ser geral: de há muito que a marca não fazia nada assim tão completo.
É curioso, enquanto digo isto, que tenha de salientar que a Canon não integrou na EOS 7D a capacidade de fazer “bracketing” da exposição ao longo de cinco fotogramas, mantendo a opção nos três, se bem que tenha inscrito os cinco fotogramas de “bracketing” na EOS 550D apresentada há dias.
É realmente estranho que a marca não tenha colocado tal hipótese na EOS 7D quando o fez num modelo de entrada de gama que surge pouco tempo depois. Como não se pode acreditar que alguém na Canon tenha decidido, à última hora, fazer a vontade aos utilizadores da marca, que de há muito pedem 5... ou mesmo mais imagens em “bracketing”, resta somente a hipótese de a Canon ter decidido que ia guardar essa função para um outro modelo mais próximo da 7D. Esta mania de espalhar funcionalidades entre modelos de diferentes segmentos, cortando uma aqui e inserindo outra ali, por vezes transversalmente a gamas amadoras e profissionais, sugere algum inexplicável e incompreensível plano de marketing que, no final, nos levará a comprar mais equipamento, sobretudo os que anseiam ter sempre o último grito. Quer isto dizer, por exemplo, que quem já comprou uma EOS 7D mas exige mesmo ter bracketing com cinco fotogramas vai a correr comprar a EOS 550D. Deve ser isto que a marca quer, mas na verdade pelo bracketing provavelmente poucos lá irão.
Agora pelo flash... até eu sou capaz de comprar uma EOS 7D. Aliás, apesar das muitas novidades que a EOS 7D apresenta, e sobre as quais já escrevi um pouco antes, não seria pelos milhões de pixéis extra que iria a correr comprar o aparelho. Os 15 milhões de pixéis da EOS 50D que uso actualmente chegam bem. Como pontos importantes para uma eventual troca tenho ainda a focagem e a gestão do ruído em sensibilidades mais elevadas. São aspectos que melhoram efectivamente os resultados em diversas situações.
Mas só por essas razões não iria a correr comprar a EOS 7D. Há contudo a questão do flash integrado na EOS 7D, que pela primeira vez permite controlar unidades externas, algo que no meu caso é verdadeiramente essencial, pela liberdade que dá de trabalhar com iluminação artificial sem ter de estender fios... ou viver limitado com o curto cabo de sincronismo do flash externo que a Canon oferece.
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Legenda do diaporama
Da esquerda para a direita: Três primeiras fotos demonstram opções de iluminação com flash externo posicionado em diferentes pontos face ao motivo principal. Duas fotos seguintes mostram cogumelos na sombra com zona traseira iluminada e posição do flash para obtenção do resultado. Na última foto mostra-se como o flash externo permite controlar a luz que ilumina o Menino Jesus no berço, sem afectar o resto.
O uso de um flash ou de vários flashes externos com câmaras da Canon sempre foi uma dor de cabeça quando não se deseja investir no flash de topo de gama, o Speedlite 580EX II, único capaz de controlar outras unidades de flash. Ou isso ou o transmissor ST-E2, que custa os olhos da cara e só faz mesmo aquilo para que foi criado. Enquanto outras marcas há anos oferecem unidades de flash integradas em câmaras com capacidade de controlo de flashes externos, a Canon nunca optou por essa via... até à EOS 7D.
De facto, o pequeno flash de bordo tem um transmissor integrado que torna possível fazer um controlo criativo da luz impensável até agora... sem se entrar numa despesa de centenas de euros. Só por isso vale a pena correr a comprar a câmara se necessita de trabalhar com flash e não quer ter de comprar a unidade de topo da Canon (ou não pode...) mas mesmo assim quer ter mais do que um pirilampo pendurado no topo da máquina. Ou um flash externo preso por 60cm de cabo...
Com o transmissor integrado é como se de repente tivesse um Speedlite 580EX II miniatura no topo da câmara. Além de o poder usar como flash de enchimento ou fonte principal de luz, pode controlar uma ou mais unidades externas, definindo uma série de coisas em termos de potência do disparo de cada flash ou grupo deles. De facto, as opções só são limitadas... pela capacidade de investimento monetário em unidades externas de luz. Mas não comece a tremer: um único flash, mesmo o Speedlite 430 EX/EXII funciona perfeitamente. Sei-o porque até o flash que usei – o “velho” 420 EX - para testar as capacidades da EOS 7D serviu. Com o flash da câmara, um flash externo e um ou dois reflectores tem o seu estúdio móvel básico pronto para usar em qualquer lugar. Eu disse natureza? Eu queria dizer isso mesmo. Se bem que o que se faz ali se aplique em qualquer outro espaço.
O flash da EOS 7D tem um número guia de 12, inferior ao dos outros modelos da marca, que é de 13. Sente-se inferior? Esqueça, essa redução não é visível na prática e foi feita para garantir melhor cobertura associada à nova objectiva EF-15-85mm f/3.5-5.6 IS USM, mesmo na focal de 15mm. Uma objectiva a considerar, agora que penso nisto, se procura uma “todo o terreno” com boas capacidades. O ecrã traseiro da EOS 7D é a “ponte de comando” de todas as operações de flash.
Aceder ao menu de controlo do flash revela que a Canon lhe deu capacidades que faltavam anteriormente nas suas unidades integradas. É possível definir a potência de saída manualmente, entre 1/1 e 1/128 em passos de 1/3 EV. A função estroboscópica, com múltiplos disparos a potências entre ¼ e 1/128 e frequências de disparo de 1Hz a 199Hz (seja 1 disparo por segundo ou 199 disparos por segundo) também marca presença.
As novas capacidades são uma mais-valia, mas aquilo que muitos utilizadores preferirão ter por perto é mesmo a possibilidade de fazer o flash funcionar como unidade principal (master) em ligação com unidades externas escravas (slave) que responderão aos impulsos de luz do flash. Até uma distância de 7 metros em exterior e 10 metros em interiores. Tecnicamente, porque estes valores podem variar em função de duas coisas:o sistema de infravermelhos necessita de uma linha de visão directa entre a unidade de controlo e as controladas e por vezes não é detectado quando a luz ambiente é mais elevada... sim porque ele há alturas em que se usa o flash com sol.
Capaz de controlar até três grupos (A,B e C) de flashes externos, com o menu de controlo presente no ecrã traseiro da EOS 7D, o pequeno iluminador pode duplicar funções tornando-se ele próprio num iluminador, se bem que a sua potência nesse caso seja reduzida. Na prática, funciona como um flash de enchimento que a curta distância, como sucede em fotografia macro, por exemplo, pode produzir excelentes resultados. O flash possui ainda quatro canais de comunicação, para o caso de fotógrafos com o mesmo tipo de equipamento estarem a fotografar na mesma área. Isso evita – se o souberem, claro – que usem o mesmo canal e disparem os flashes uns dos outros.
Capaz de controlar compensações de exposição com flash até +/-3 EV em todos os flashes ligados ao sistema, a EOS 7D representa um efectivo passo adiante na elasticidade do sistema de flash E-TTL II da Canon. É pena que essa funcionalidade não seja estendida a aparelhos como a EOS 550D, algo que, suponho, alargaria a base de utilizadores de flashes Speedlite da Canon, dado que tornaria a ideia de usar iluminação artificial mais acessível a muita gente. De facto, o elevado custo do flash 580 EX II coloca-o fora da esfera de muitos utilizadores (até porque a potência e volume não se justificam em muitos casos) mas o 430 EX II é uma escolha acessível a muitos e que em conjunto com a EOS 7D permite construir a base de um sistema de iluminação adaptável a diferentes usos. Como demonstram as fotos publicadas. Associado a uma EOS 550D com a mesma funcionalidade no flash integrado faria disparar a venda de flashes Canon, digo eu. Quem sabe?











































































