Prática
Museu do Ar: como fotografar aviões
- Detalhes
- Publicado em 02-07-2011
A oportunidade de fotografar as salas da nova ala do Museu do Ar no dia de abertura permitiu apreciar as condições de luminosidade únicas e temporárias do espaço: uma "enfermaria" de aeronaves onde a luz ajuda a explorar a relação das pessoas com estas fantásticas aves metálicas.
Para a celebração dos seus 59 anos a Força Aérea Portuguesa pode não ter muitas condições para voar em demonstrações para o público, mas no dia 1 de Julho de 2011, na abertura das celebrações na Base Aérea de Sintra, as novas salas do Museu do Ar abriram ao público, para uma experiência única em termos fotográficos.
Em breve conversa com pessoal da FAP descobre-se que o elegante vazio do espaço em breve deixará de existir, quando outras aeronaves surgirem nos agora imensos vazios de uma alvura que fere a vista. Mas neste primeiro dia, talvez como testemunho de algo que a breve trecho deixará de existir, foi possível fotografar toda aquela imensidão usando a luz natural vinda do alto, através de janelas com vidros UV que pretendem reduzir os efeitos nocivos de tanta luz sobre as aeronaves em exposição.
As condições museológicas ideais são outras, mais para o obscuro de uma somba protectora, mas agora, quando o sol brilha no céu, um estúdio pejado de difusores, fruto do branco de paredes, chão e tecto, reflecte luz em todas as direcções, criando condições interessantes à prática fotográfica. Mesmo com uma objectiva tão vulgar como a 18-55 mm do kit da Canon EOS 600D que estou a experimentar e que me tem acompanhado por estes dias em múltiplas aventuras fotográficas. Por agora centradas nos dias de aniversário da Força Aérea Portuguesa.
A inexistência de actividade aérea nas comemorações deste ano levou-me a anular os workshops que planeara para estes dias, em torno da fotografia de aviões, mas um meu "aluno" de fotografia acompanhou-me nesta incursão, uma experiência nova que o deixou... com vontade de mais. Da fotografia na placa, com os problemas causados por um sol intenso, até à descoberta das condições únicas desta nova ala do Museu do Ar, foi uma manhã de aprendizagem que ao mesmo tempo deve ter criado mais um adepto deste tipo de fotografia. E um olhar mais interessado para os aviões...
O diaporama que produzi propositadamente para ilustrar este artigo é uma visita única ao novo espaço do Museu do Ar. Foi fotografado "as it comes", isto é com a luz natural - usei o flash da máquina uma ou outra vez mas somente numa das fotos do diaporama ele está presente... e não se nota -, sem tripé e usando, por isso mesmo, aberturas entre f/4 e f/6.3, com velocidades entre 1/100 e 1/15. Porque apesar da luz natural presente e de todo o branco, torna-se necessário encontrar um valor que registe o máximo, das zonas de sombra até às altas luzes.
Existem dois elementos essenciais e que funcionam como fio condutor deste diaporama: a exploração da alvura, quase de "enfermaria", da nova ala do Museu do Ar, e ainda a relação das pessoas com o espaço. Da série de fotos do miúdo até ao adulto em contemplação junto de uma aeronave, a outros elementos do público e da FAP deslocando-se ou estáticos no Museu, há um discurso de procura de relação de dimensões, posturas, gestos, que reflecte a relação humana com estes pássaros metálicos.
O diaporama introduz ainda um outro elemento ilustrativo importante: a variedade de opções de registo da placa identificativa do Museu do Ar, que surge enquadrada de diferentes ângulos e com desenvolvimento horizontal e vertical. Pretendi com isso mostrar que existem sempre mais fotografias do que as aparentemente visíveis, isto num curto espaço percorrido. Em produção editorial essa variedade de opções é importante. Tanto como deixar espaços em branco para colocação de texto, como surge exemplificado na foto do Cessna 337 Skymaster, o puxa/empurra (a aeronave com hélice frontal e atrás) que sempre me seduziu como aeronave, e a que dei lugar de destaque no diaporama.
Muitas mais imagens esperam quem visitar a Base Aérea de Sintra - e algumas das outras - durante o fim de semana de 2 e 3 de Julho de 2011. As que usei para este curto exemplo são somente a prova do que pode conseguir-se num par de horas de visita, e com recurso, quase totalmente, a uma única objectiva: a 18-55mm. De facto os interiores foram todos realizados com esse conjunto óptico, enquanto a nova 70-300mm série L da Canon foi usada em algumas das imagens exteriores. As imagens aqui publicadas falam por si em relação a ângulos escolhidos e opções de enquadramento. Veja o diaporama para apreciar todos os exemplos.











































































