Prática
Fotografar a Lua no perigeu... ou fora dele
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- Publicado em 22-03-2011
Fotografar a Lua no seu perigeu levou muitos para fora de casa no entardecer do dia 19 de Março, mas os resultados nem sempre foram os melhores. Efectivamente, se aceitarmos que o perigeu náo é um momento preciso no tempo, a melhor hora para fotografar a Lua até podia ser outra.
A partir das 18 horas do dia 19 de Março a Lua atingiu de novo o ponto mais próximo da Terra dos últimos 18 anos. É uma curiosa duplicação numérica (18 e 18) mas o mais interessante é como estes fenómenos que espantavam os antigos continuam a espantar-nos e atrair-nos no dia de hoje, como se algo de inexplicável nos puxasse para um maior relacionamento com a Natureza.
Não resisti, portanto, também, a fotografar a Lua no perigeu, esse momento mágico em que a Lua cresce cerca de 14% face ao que costuma parecer-nos quando se encontra no apogeu (veja a foto da NASA).
Portugal tem, por norma, o azar de ter céu encoberto quando muitos destes femómenos sucedem, mas desta vez o dia quase estival continuou pelo fim da tarde, com céu azul a servir de palco para a chegada da Lua. Só que a dita, apesar de nascer segundo os calendários oficiais pelas 18.10, só mais tarde se mostrou, efectivamente, no céu. A minha primeira foto, obtida a partir de um ponto alto, a zona do Monte Abraão, em Queluz, é das 19.10, se bem que a Lua tivesse começado a aparecer alguns minutos antes para outros observadores. O resultado é óbvio: torna-se impossível fazer uma exposição que registe ao mesmo tempo paisagem e Lua e manter a superfície da dita com detalhe. Isso prova-se, afinal, nas imagens - algumas, reunidas pelo Daily Mail para mostrar o fenómeno.
Em conversa com fotógrafos amadores no dia imediato, 20 de Março, durante um passeio fotográfico na Tapada Nacional de Mafra, confirmei que as pessoas haviam, em muitos casos, falhado o registo, munidas de compactas ou reflex, por terem tentado apanhar tudo numa só imagem. Tinham um disco branco que podia ser qualquer outra coisa. E muitas acreditavam não ser possível, sequer, com uma câmara compacta, registar a Lua, por a exposição ser... demasiado longa.
A verdade é que a exposição necessária para registar o nosso satélite natural é bem menor do que as pessoas julgam. É o negrume do céu em redor da Lua que engana o sensor e indica ser necessária bem mais luz do que a que realmente é. Afinal, se pensarmos bem, a Lua mais não é do que um imenso reflector do Sol. Assim sendo, uma boa base de partida para uma boa foto da Lua devia seguir a mesma regra do "Sunny 16" internacional, isto é, usar a velocidade de 1/125 a f/16. Esse é um bom valor e partida para se entender que afinal é mesmo necessário menos luz, mas por uma série de outros factores ( intensidade da luz, efeitos atmosféricos, neblinmas, poluição do ambiente, etc.), a exposição final será sempre mais longa.
Quando se expõe para registar a Lua é ainda conveniente não fazer longas exposições, porque o que acabamos por ter na foto final é um rasto branco (alguns segundos bastam) como o que as estrelas deixam se fizermos uma longa exposição do céu. Por isso mesmo é bom usar uma velocidade alta, se tal for permitido. No caso da minha foto do perigeu - uma de várias que realizei - optei por fazer algo que raramente faço: subir a senbilidade ISO para 400, porque a brisa da tarde onde me encontrava convidava a fazer essa escolha para reduzir os efeitos de vibração no tripé. Com o espelho em posição elevada como opção para cada disparo, e o temporizador em 10 segundos, para dar tempo a que toda a vibração da subida do espelho se dissipasse, realizei uma série de fotos. Valor usado na foto publicada: 1/200 a f/5.6.
O negrume já presente naquela hora e a minha escolha de um local sem luz ambiente (uma zona habitada teria dado outros resultados, mas não fiz essa pesquisa atempadamente) obrigou-me a encontrar uma solução de recurso para não ficar com um simples disco branco no meio de um rectângulo preto. A escolha foi a estrutura metálica de um poste de alta tensão, que serviu para definir linhas reveladoras do resto por cima da Lua no perigeu. A imagem vale mais como documento do que outra coisa. Mas é um testemunho do dia.
Mas a minha melhor imagem do perigeu, se considerarmos que a Lua não estava distante dele ou se afastou logo depois, foi realizada às cinco e 43 minutos da manhã do dia 19 de Março, quando a Lua descia no horizonte por sobre a Serra de Sintra. Eu estava a pé desde as cinco da manhã, a preparar tudo para o workshop de fotografia na Tapada Nacional de Mafra, e enquanto bebia o café matinal seguia a Lua na viagem para d fim da noite. Era ainda breu absoluto, mas eu sabia que a linha da Serra de Sintra me daria uma imagem com um bom ponto referencial, e preparei o equipamento. Esta foto, obtida com a câmara apoiada no parapeito da minha janela de casa, foi registada a 100 ISO com 1/80 de velocidade e f/5.6 na minha 100-400mm da Canon. É, para mim, a minha imagem oficial do perigeu, até por marcar de forma indelével o começo de um dia de trabalho e prazer.
Se falhou este momento do ciclo lunar, terá de esperar 18 anos para o ver de novo. Mas isso não impede que tente fotografar a Lua em qualquer ocasião com as dicas aqui deixadas.











































































