Prática
Chuva: todo o equipamento para não se molhar
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- Publicado em 13-02-2011
Em recente saída na Tapada Nacional de Mafra a chuva surpreendeu-me de tal forma que apanhei um banho como há muito não me lembrava. Nem o meu casacão The North Face escapou. Mas as botas Rockport XCS e as calças Extreme 2 da Stealth Gear não me deixaram ficar mal.
Um poncho capaz de cobrir-me com mochila às costas é um acessório que viaja sempre na mala do meu carro, mas confesso que, tal como o tripé, por vezes o deixo ficar para trás. Em recente visita a Mafra, para percorrer o trilho do workshop Danças com Javalis, a realizar a 19 e 26 de Março, o tempo parecia de molde a não passar à chuva, pelo que achei que o meu casacão The North Face chegaria para dar conta de alguma inesperada chuvada. Eis-me pois ao caminho, enquanto o céu foi escurecendo, mas não, parecia-me, de molde a preocupar-me. Enganei-me.
De repente, quando fotografava água em movimento na ribeira de Safarujo, senti que tinha água a cair-me de cima... As primeiras gotas cedo se tornaram numa copiosa cascata de água descendo dos céus, um dilúvio que em minutos engrossaria o caudal da ribeira ao ponto de ela se tornar perigosa para quem caísse lá dentro. Um troar no alto revelou o que vinha a seguir: uma trovoada, a mesma que terá assustado e despejado raios sobre dois turistas belgas no Castelo dos Mouros, em Sintra, e que acabou por centrar-se por algum tempo sobre a Tapada - a matemática antiga de contar o tempo do relâmpago ao trovão - e deixar-me preocupado. Eis-me ali, no meio de nada, com árvores como única protecção - e muitas das árvores na TNM testemunham que os raios as gostam de beijar - sem saber o que fazer. Um momentâneo abrandar da chuva levou-me a pensar que era, como dizia a canção, uma nuvem passageira, pelo que sob o abrigo do arvoredo decidi continuar a caminhar mais um pouco em sentido inverso ao de regresso. Escolha errada...
A chuva não abrandava, o tempo escurecia e a ideia de avistar javalis estava fora de questão. Vi-os, uma vara completa, mas eles estavam em curso para manterem uma distância de segurança face ao intruso caminhando à chuva, e eu já estava no caminho de regresso, após ter decidido que não valia mesmo a pena continuar. E como a chuva não dava sinal de parar e escurecia, eis-me a meter pés ao caminho, sob a chuva intensa, confiando nas capacidades do meu equipamento para me manter e ao material secos.
Quando cheguei ao forno da cal, um ponto referencial nos percursos da Tapada, onde um telheiro me serviu de abrigo, estava ensopado. Sentia a água escorrer nas mangas do meu casacão... do lado de dentro, e os bolsos sugeriam que a água penetrara até ali. A camisola polar sob o dito esta húmida e até mesmo a camisola interior, adequada para caminhadas, fora afectada. Um banho assim, recordei enquanto alijava a carga das costas, só me sucedeu há muitos anos (nos anos 80) em Sintra, quando fui apanhado por uma carga de água no meio da Serra e tive de voltar à vila - naquele tempo ainda não levava carro atrás de mim até uma zona próxima do percurso - fustigado pela chuva inclemente.

A minha velha mochila LowePro Mini Trekker, ainda sem a protecção AllWeather, de tão velha ser, deu marginalmente conta desta experiência em Mafra. O equipamento no interior não foi atingido, mas confesso que não pretendo repetir a experiência e já troquei de mochila - de entre as várias que tenho - para um modelo com capa de protecção da chuva. Apesar de tudo a Mini Trekker, que nestes anos todos de uso intenso já "gastou" a protecção contra os elementos, provou que o bom material é algo que justifica o investimento se que faz nele.
A confirmar isso mesmo, as minhas botas Rockport, da gama XCS, que já não encontro no mercado, provaram que continuam a ser uma referência de resistência, qualidade e conforto. Depois de nos anos 80 ter experimentado calçado da Ecco, a marca dinamarquesa, com alguma paixão - o facto de ter vivido três anos na Dinamarca ajudava - desisti de o usar por os novos modelos de botas, feitos em Portugal, serem tudo menos bons. Quando encontrei as primeiras Rockport fiquei fã, pelo conforto sentido. e com o passar do tempo descobri que eram do mais resistente que se pode encontrar, sem serem "umas botas feitas de ferro" como umas Columbia que comprei e nunca consegui usar.
As Rockport são elegantes e extremamente resistentes. Digo eu que as uso todos os dias - de facto raramente uso outra coisa que botas... estas - de Verão ou Inverno. É impossível encontrar em Portugal actualmente os modelos que comprei há anos e nem sequer sei qual é a gama disponível, mas as minhas têm durado e durado e durado. Agora, depois do banho de Mafra, e enquanto as Rockport XCS secam na varanda (estão molhadas por fora mas os meus pés estavam secos e quentes) fui buscar um par de um modelo mais antigo e que calcei desde ontem. Devem ter mais de uma década, viram quilómetros e continuam utilizáveis. E nos meus pés atravessam de água do mar a lama, sem verem muita limpeza, produtos de protecção ou graxa. Esqueço-me de lhes dar o devido tratamento e mesmo assim continuam a levar-me a todo o lado sem problemas.

Depois do primeiro par, comprei um segundo e finalmente dois pares em saldos no Freeport, dos quais um ainda está imaculado na caixa, nunca tendo sido usado. E ainda vai demorar muito tempo a ter de o fazer, porque os três pares que tenho continuam todos ainda em estado de uso. E esta chuvada de Mafra provou-me que posso continuar a confiar nas minhas Rockport, mesmo se os modelos específicos que uso são mais semelhantes aos Rockport Works que se encontram nos Estados Unidos do que aos modelos do catálogo disponível na Rockport para Portugal. Será que até isso deixou de existir por cá?
O outro elemento sobrevivente da minha aventura de Mafra foram as calças Extreme 2 de Stealth Gear, adquiridas há relativamente pouco tempo através da Fotocamo, e que se revelaram como cumprindo com as promessas do fabricante. Sem qualquer protecção nas pernas além das Extreme 2, cheguei ao meu destino sem pinga de água ou humidade nas pernas. As calças estavam totalmente molhadas por fora mas eu continuava quente e confortável. Impressionante, digo-vos. É nestas condições que se fica com a sensação do valor real que se pagou ao investir em algo assim.
Depois da paragem no forno da cal, que serviu para confirmar o que escrevo acima, comer uma deliciosa maçã e fotografar o jogo das gotas caindo das telhas no telheiro que me serviu de abrigo temporário, eis-me de novo a meter-me ao caminho, sob chuva intensa, até atingir a zona de apoio da TNM, onde o meu carro me esperava. Arrumado o saco de fotografia, despido o casacão ensopado, eis-me a sacar do termo de café que sempre levo atrás para estas coisas, e deixara no carro, para um reconfortante copo de café bem quente, acompanhado de bolachas Maria. Um pitéu antes do regresso a casa.
Moral da história, para quem a quiser: certifique-se de que dispõe de equipamento capaz de o proteger e proteger o seu equipamento se vai sair este Inverno em condições pouco favoráveis. E mesmo que isso lhe custe, eoncontre espaço na mochila para levar um poncho impermeável de boa dimensão, capaz de o cobrir e à mochila, descendo até ao joelho. Se a isso juntar umas calças Extreme 2 e umas botas Rockport estará preparado para tudo. O poncho, que serve para muitas outras coisas (colocar equipamento no chão, deitar-se sobre ele, abrigo improvisado) é algo que usava nos escuteiros mas por vezes deixo no carro. Ou deixava, digo eu, que no novo saco de fotografia que preparei quero ter sempre espaço para ele. Fica a dica.











































































