Técnica
Como ter vídeo na sua Canon EOS 50D
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- Publicado em 08-08-2012
O firmware que transforma a EOS 7D numa EOS 7D Versão 2 já está disponível. O que me levou a pensar que se a Canon quisesse, podia fazer com que a minha EOS 50D registasse vídeo. E muito mais. É verdade, imagine poder ter uma EOS 50D Versão 2.
O título pode levar alguns a soltarem um palavrão, mas na verdade é possível ter vídeo na EOS 50D, o que contradiz o que a Canon afirmou ao lançar a câmara. Mas isso atinge-se usando software que viola a garantia e pode dar cabo do aparelho, pelo que poucos quererão arriscar tal exercício, a não ser que tenham dinheiro de sobra para poderem dar cabo de um aparelho com experiências.
A solução chama-se Magic Lantern um software que muda o comportamento de algumas modelos de câmaras EOS da Canon (5Dmk2, 50D, 60D 500D, 550D, 600D). Trata-se de um software que corre a partir do cartão e que se sobrepõe ao firmware de base da marca. Pode ser desactivado, mas a operação não é isenta de riscos e os criadores do software avisam: não nos responsabilizamos se algo correr mal. Nem eles, nem eu. Limito-me a dizer que existe, e a explicar alguns aspectos do seu funcionamento ao leitor, mas não me venha pedir contas se der cabo da sua câmara. Eu sou unicamente o mensageiro.
O software Magic Lantern, que é grátis, já existe há algum tempo, mas é a mais recente versão, ML V2.3 que deve ser olhada como eventual proposta estável para quem pretenda arriscar. Confesso que a lista de vantagens, mesmo para uma EOS 50D, é sedutora. Temos o vídeo, mas temos também um temporizador de disparo alargado, com opções que permitem pensar nas longas exposições de fotografia nocturna, em timelapse, tudo isto sem ter de comprar hardware extra. Através do Magic Lantern torna-se possível fazer até HDR bracketing, melhorar uma série de coisas, alargar o controlo dos fotogramas por segundo em vídeo, melhorar ISO... é um nunca mais acabar de novidades... que já lá estavam.
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Magic Lantern version 2.3 Promo from MagicLanternFM on Vimeo. |
A comunidade em torno do programa é muito activa e tem um espaço de diálogo com os utilizadores. Muitos fotógrafos profissionais estão a usar o software e os resultados parecem ser favoráveis. Mas existe sempre o risco de algo correr mal e isso está bem explicado no website e em toda a documentação. Quem quiser "acender" esta Lanterna Mágica corre por conta e risco.
Uma câmara que está imune ao fenómeno Magic Lantern é a EOS 7D, que a equipa da ML estuda afincadamente para encontrar uma solução para aplicar o seu software ali. Mas aqui não é isso que me interessa salientar. Fiquei foi a cismar sobre o facto de, afinal, este software conseguir revelar coisas da velha EOS 50D que nenhum de nós sabia serem possíveis. Isso deixa portas abertas para se começar a pensar.
A Canon fez recentemente algo que nunca fora feito anteriormente: pegar num aparelho velho de alguns anos, a EOS 7D, e torná-la "nova" com uma actualização de firmware que dá aos possuidores da câmara uma nova razão para dizerem que fizeram uma excelente compra... e aos que pretendem comprar um aparelho agora uma boa razão para olharem para este modelo cujo preço de mercado já está mais baixo do que quando foi lançada.
Ora, se a Canon fez isto com a EOS 7D, podia fazer o mesmo com a EOS 50D ou a EOS 500D, dotando-as de vídeo para começar, mas adicionando-lhes os outros modos que o software da Magic Lantern veio revelar estarem latentes nos aparelhos. Porque é disso que se trata: de activar funcionalidades que estão presentes.
Se a Canon enveredasse por esse caminho poderia garantir um caminho seguro de actualização dos aparelhos, dando-llhes uma nova vida e, aos possuidores, uma razão mais para investirem numa marca que tão bem sabe (saberia) tratar os que a preferem. Acho que essa devia ser a lógica a usar pelos responsáveis da marca face a esta experiência que o software Magic Lantern representa.
Garantir que as pessoas escolhem Canon porque a actualização de firmware prolonga a vida natural dos equipamentos seria um pouco como investir numa boa Gillete para a barba: as pessoas depois de terem a máquina ficam clientes das lâminas. Neste caso, as pessoas com câmaras Canon, cientes de que o investimento nos corpos era bem feito, gastariam, provavelmente, mais dinheiro em objectivas e outros acessórios. Chama-se a isso fidelizar a clientela.
Sabemos que é possível dar nova vida a velhas câmaras, mas queremos fazer isso com segurança. Acho que cabe à Canon não enfiar a cabeça na areia e apreciar esta revelação - que, suspeito, já saberiam mas nunca referiram. Agora que a informação está à solta, e seguindo o exemplo da EOS 7D Versão 2, seria bom que a Canon integrasse o projecto Magic Lantern como forma inteligente de dar ao mercado algo que por anos tem faltado: a estabilidade de não termos de correr atrás de mais megapixéis de câmaras novas, mas a certeza de podermos usar os nossos aparelhos por mais tempo, como sucedia nos tempos do filme. Poder redescobrir uma EOS 50D de 2008 seis anos mais tarde, com novas funcionalidades, seria um bom passo nessa direcção. E nem sequer penso no vídeo, mas nas outras funções que alargam o potencial da fotografia tal como a conhecemos.
Fico à espera de ver se a Canon me surpreende e dá esse passo de que a EOS 7D parece ter sido sinal. Afinal, é possível fazer mudanças, como o software Magic Lantern já provou.








































































