Técnica
Canon: primeira câmara sem espelho é APS-C?
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- Publicado em 11-07-2012
A ser verdade que a Canon vai apresentar uma "sem espelho" com um sensor APS-C, apetece dizer que... ri melhor quem ri por último. Os rumores mais recentes sugerem que o aparelho é apresentado dia 23 de Junho.
Uma nota para balizarmos o terreno. Sou utilizador Canon. E este website deve à Canon, mais do que a qualquer outra marca presente em Portugal, o manter-se vivo. É a publicidade que a Canon faz aqui que contribui, mesmo que seja insuficiente para tudo, para manter a porta aberta. Porque escrever custa dinheiro. Daí que só escreva, aqui, o que me apetece e posso no cada vez mais curto espaço de tempo que dedico à FD.
Dito isto, sou totalmente independente da Canon e não escrevo o que me dizem. De facto, nem sequer tenho qualquer relação especial com a Canon Portugal. E nem sempre por ali gostam do que eu escrevo aqui. Mas se a minha escrita sobre o que é Canon - notoriamente mais do que sobre outros produtos, porque os outros... não existem em Portugal... e eu escrevo sobre o que quero - mas, como eu escrevia, se a minha escrita o incomoda (tenho quem me acuse de estar no rol de pagamentos da Canon), mude de página, vá a outro sítio, não me aborreça com a sua opinião de que me pagam para escrever isto. Você não paga!
Pronto, balizado o terreno - e agora que uns quantos se levantaram e foram embora - é tempo de dizer que quando a 23 de Junho a Canon revelar o que tem para mostrar, começando a ronda das novidades para a Photokina, terá provavelmente um aparelho da marca para responder aos 4/3, "sem espelho" e mil outras propostas hoje existentes, das NEX da Sony aos produtos da "em breve vamos ser líderes de mercado" Samsung.
Ao longo de todo este tempo tem-se escrito e dito que a Canon adormeceu. Mas a Canon disse que estava a ver o que o mercado queria. Talvez. A verdade é que tivémos este mês uma prova de que a Canon escuta as pessoas: a EOS 7D, que nasceu em 2009 fruto de consultas a fotógrafos, renova-se de uma forma nunca vista em qualquer câmara de qualquer fabricante em Agosto de 2012. Através de firmware, a EOS 7D passa a ser uma EOS 7D v2 ou uma EOS 7D Mark II, se quisermos. É uma câmara que faz um MLU (Mid Life Update) que a coloca em posição de ser uma boa escolha por alguns anos mais. De facto, é, três anos depois de lançada, uma excelente compra do momento. Como se fosse nova!
Nem tudo são rosas por estes dias, porém. A Canon tem problemas com o punho das novas EOS 650D, que parece querer tornar-se branco como as objectivas, fruto de um excesso de alguns produtos químicos que recebeu na fase de produção. E existem objectivas com lançamento atrasado face ao calendário, outras que parecem ter problemas, enquanto nas compactas foi necessário recuperar uma série de S100 que teimam em manter a objectiva aberta mesmo quando se lhes diz que se fechem.
Acho que este é o pão nosso de cada dia nestes tempos modernos, em que novos lançamentos sucedem a um ritmo nunca visto nos tempos do analógico. Queremos viver depressa e tudo acontece mais depressa. Até a descoberta dos problemas. E provavelmente também a das soluções. É algo que não afecta unicamente a Canon, portanto acho que, mesmo sendo notícias a divulgar, não se desviam de um padrão transversal a todos os segmentos do mercado. É a espuma dos dias, como se diz por aí.
É com todo este cenário de fundo que esperamos a chegada da primeira "sem espelho" da Canon. Que a ser o que os mais recentes rumores dos mentideros da especialidade, Canon Rumors e Canon Watch, sugerem, não vai, afinal, ter o sensor da PowerShot G1X, mas um puro sensor APS-C, o que a colocaria no mesmo patamar das reflex da Canon. É uma ideia interessante, que deixaria de colocar aos utilizadores o eterno problema: escolho uma câmara pequena mas privo-me de qualidade no sensor, ou escolho uma câmara maior e tenho de carregar a tralha atrás?
Ao criar-se um único sensor para tudo, devolve-se ao fotógrafo o ambiente típico do tempo do filme, em que as câmaras não se escolhiam, de uma forma geral, pela dimensão do filme, mas pela dimensão dos aparelhos. É evidente que existiam então formatos paralelos, do 126 (Instamatic) ao desastre do 110 ou o mal-amado 240 (ou APS), mas o referencial absoluto para o mercado e para o fotógrafo era o 35mm.
Agora, sob a batuta do APS-C, que me parece ser um bom formato, em termos de dimensão/prestação, para a generalidade dos modernos aparelhos digitais - nunca hei-de entender o endeusamento do 35mm como formato de referência que mesmo quem nunca o usou antes continua a manter - a Canon parece prestes a cumprir aquilo que muitos desejam: criar dois tipos de aparelhos que usam o mesmo sensor mas se destinam a distintas finalidades. E, até certo ponto, a distintos públicos.
Quando escrevo "até certo ponto" acho que tenho razão. Para muitos, um ou outro tipo de aparelho será a escolha. Mas para alguns, entre os quais me incluo, poder trocar de uma reflex para uma espécie de câmara de telémetro sem ter de prescindir da qualidade de um sensor é uma boa notícia. Costumo andar com uma câmara compacta no bolso - neste momento uma Casio, se querem saber - e gosto do que faço com ela, mas sempre que tenho de abrir os ficheiros de algo que gostei de registar fico a pensar "e se eu tivesse uma câmara com sensor maior por perto..."
Quando digo maior, confesso que penso no APS-C. Afinal, trata-se de um formato digital que herda uma esperança do analógico dos anos 90. Apesar de o FF ser aparentemente necessário em alguns campos, o sensor mais pequeno chega-me. E como já escrevi, não entendo a paixão de muitos fotógrafos por formatos maiores. Quando olho para o que fazem, penso que nem da área do APS-C dão boa conta...
Dentro de dias, a 23 de Junho, a Canon confirmará se a sua "sem espelho" é mesmo uma realidade, e se o sensor é o da Powershot G1X ou APS-C. E ao mesmo tempo todos os que olharam para a EOS 650D, sobre que já escrevi, como um aparelho de viragem, com a introdução de AF contínuo em vídeo e o ecrã de toque, poderão confirmar se a EOS 650D não foi também o aparelho de ensaio de tecnologias que farão da "sem espelho" da Canon um reflexo dos desejos dos que esperam há muito para ver a Canon dar este passo.









































































