Técnica
Canon PowerShot G1X: tamanho é qualidade
- Detalhes
- Publicado em 27-03-2012
O sensor CMOS semelhante à gama reflex EOS da Canon é a estrela da PowerShot G1X, que oferece uma prestação pouco habitual numa compacta, quando se sobe o ISO. A qualidade do sistema óptico aliada ao sensor tornam a G1X numa boa escolha em termos de câmara para fotografar paisagem e quando a luz se vai.
Ao criar a PowerShot G1X a Canon sabia estar a derivar da sua gama normal G, onde a 12 ainda ostenta um sensor do tamanho de uma unha de gato. Esta G1X, que parece seguir a lógica da nova EOS 1D X (será que vamos ter uma EOS 7DX e EOS 70D X ?) é pela marca apontada como de classe superior, e basta olhar para o tamanho para perceber que assim é.
Efectivamente, esta compacta não é lá muito compacta, mas não o sendo continua a ser embolsável, num colete de fotógrafo ou casacão de inverno, e para quem não se preocupa com a miniaturização que sempre acaba por obrigar a cortar em algum ponto, como seja a qualidade da objectiva ou sensor, a PowerShot G1X pode ser uma boa solução como segunda câmara quando não se quer carregar uma reflex atrás. Verdade, é quase tão grande como algumas reflex de entrada com uma objectiva pequena, mas o facto de ter um zoom de 28-112mm f/2.8-5.8 no corpo torna-a melhor em termos de cobertura focal. É essa a sedução deste aparelho, que, como já se sabe, tem um sensor maior do que é usual em compactas, um sensor CMOS feito por medida, e que, aliado à objectiva, é o seu trunfo maior. A qualidade que se consegue obter aqui é, se quisermos levar isto ao seu extremo, comparável ao que se pode obter com a EOS 7D. Recorde-se que a PowerShot G1X tem já o processador Digic 5 no miolo, a mais recente geração da Canon, pelo que em termos de processamento está no patamar acima da geração Digic 4.
Pessoalmente acho que o problema maior que se põe ao uso de uma compacta é que nunca oferece a qualidade que é possível obter com sensores maiores. A Canon sabe isso mesmo e por isso até mesmo a sua gama G, apesar de apreciada pelos profissionais e amadores avançados, sempre foi limitada pela dimensão do sensor.
A PowerShot G12, provavelmente a derradeira da série com sensor pequeno, lançada em Setembro de 2010, tinha 10 milhões de pixéis num sensor CCD de 3648 x 2736 pixéis, o mesmo que a G11, de 2009. A Canon ensaiara um sensor CCD de 14.7 MP com 1/1.7 polegadas na G10 (4416x3312 pixéis e dimensões de 7.6x5.7mm) em Outubro de 2008, mas desistira de colocar tantos foto captores num sensor tão pequeno, devidoi aos problemas de ruído criados, mesmo a baixos valores de ISO. Por isso emendou a mão no sensor da G11 e G12, favorecendo a melhor resposta com baixa luminosidade em vez da resolução.
Todo este tempo os utilizadores da série G têm sonhado com uma G de tamanho grande, com um sensor maior. A Canon parece ter respondido a esse sonho, criando a PowerShot G1X, uma câmara com um sensor de 14.3 milhões de pixéis de resolução e 4352x3264 pixéis (no formato 4:3, o aparelho oferece ainda 16:9, 3:2, 1:1 e 4:5) que tem dimensões de 18.7 x 14mm, o que representa cerca de 20% menos do que um sensor APS-C. Este sensor é uma novidade dupla, dado que é também umsensor CMOS, semelhante em termos de tecnologia ao usado pela Canon na sua gama reflex. Daí que a marca refira que a qualidade é similar à da EOS 600D.
O sensor da PowerShot G1X é quatro vezes maior do que o da Fujifilm X10 e mesmo ligeiramente maior do que os sensores Micro Quatro Terços, o que coloca a G1X num patamar próprio, sem que se possam efectuar comparações. E é de todo idiota querer comprar este sensor CMOS aos das compactas com sensores tradicionais. Pela dimensão, pela associação a uma objectiva com excelente prestação óptica e pela qualidade a elevados níveis de ISO. Efectivamente, o uso do Digic 5 neste aparelho eleva a resposta a um nível impressionante. Objectica e sensor são o trunfo, como escrevi, desta proposta da Canon.
A Canon não entrou, pelo menos até agora, no comboio das "sem espelho", mas esta proposta parece ser uma espécie de resposta, mesmo se a Canon apostou num sistema sem objectivas intermutáveis. Afinal, muitos dos que adquirem as "mirrorless" acabam por não ter mais de uma objectiva, pelo que o zoom de 28-112mm da G1X oferece uma razoável cobertura para a generalidade dos usos.
Acho que foi por essa razão que passei alguns dias a usar exclusivamente a PowerShot G1X, se bem que em algumas alturas me apetecesse voltar à minha reflex. Sobretudo quando o meu polegar activava o modo de vídeo, por o botão ficar exactamente na área onde o dedo repousa, ou deslizava sobre o disco de entrada de dados traseiro e activava funções que eu não queria activar, quando não conseguia ver adequadamente a imagem no ecrã traseiro com luz diurna ou quando espreitava pelo visor e pensava que se trata de um túnel escuro sem qualquer informação sobre o que está a suceder e que não serve para muito, efectivamente.
Confesso que apesar disso me diverti a valer e voltei a casa com uma série de fotografias que me entusiasmam... e que posso abrir a grande dimensão sem problemas de ruído, mesmo as que foram feitas com baixos níveis de luminosidade e elevado ISO. A câmara responde como uma verdadeira câmara, tem todas as funções esperadas no segmento, controlo manual da exposição e flash, botões para as funções mais usadas e um My Menu que permite definir uma série personalizada de acessos a funções mais usadas. E o zoom, apesar de ajustado movendo um botão deslizante junto do obturador, parece responder bem para tornar o enquadramento preciso antes que o motivo a fotografar se vá...
Gostei de experimentar o HDR automático da câmara, distante do "art-garbage" que alguns fabricantes oferecem, se bem que gostasse de ter mais controlo dos valores usados para a exposição. E gostei de poder usar flashes externos como o Speedlite 430 EZ (uma velharia) controlado, em manual, através de um transceiver Phottix Atlas. Isso abre opções criativas pouco comuns em aparelhos compactos. Gostei, em termos gerais, do que consegui fazer com a PowerShot G1X, que é o tipo de câmara que me consegue satisfazer e não deixar a pensar, todo o tempo, "devia ter trazido a minha reflex".
Dito isto, a Canon PowerShot G1X não é perfeita. Não duvido que é uma câmara que atrairá muitos, mas existem limitações. É lenta face ao que algumas compactas fazem, com somente 1,68 fps em modo normal (os modos alternativos que existem têm limitações, também... portanto este é o de referência) e é um aparelho para esquecer se faz macro ou pretende fazer. Nas compactas é possível descer, em modos SuperMacro, a 1cm de distância do motivo. A PowerShot G1 X fica-se pelos 20cm em macro ou close-up, na focal mais curta e a 85cm na focal mais longa o que é insatisfatório. As limitações do zoom neste aspectos são de facto desanimadoras para quem gosta de fazer fotografia em planos aproximados. Em modo normal o foco mais próximo é a 40cm em grande-angular e a 1.3 metros na focal mais longa, valores que devem ser tomados em consideração por quem pretende fazer fotos de pequenos objectos. Existem evidentes limitações. Para fotografia em geral, para paisagem, por exemplo, é uma excelente opção. E com alguma investigação consegue-se dar a volta a algumas limitações, o que é também parte integrante do desafio de fazer fotografia pensando, em vez de carregar somente no botão.
Apesar das críticas tecidas no que escrevi, esta câmara não tem nada que se lhe compare. A qualidade dos resultados fala por si. A Canon pegou na fama da série G e transplantou-a para um aparelho maior, com uma objectiva maior e um sensor único, que é a estrela maior desta G1X. E que pode ser o ensaio para uma eventual "sem espelhos" de objectivas intermutáveis que alguns dizem a Canon ir apresentar em Agosto.








































































