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Um

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 Num todo, orgânico e unificador

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Evoluções da espécie e a crise

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 As verdades do Budismo e a procura da fotografia última

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João M. Gil

Interessou-se pela fotografia desde os seus 10 anos. Foi fotógrafo amador até 2007. Depois de 10 anos noutra carreira, escolheu ser fotógrafo profissional, de Paisagens, Gentes e Culturas.

É praticante do montanhismo e amante da Natureza, no usufruto e na forma de viver.

www.alma-lux-photographia.com

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Crónicas de João M. Gil

Uma foto no Atlântico, um fã do FB no Pacífico

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joaomgil30pqJoão M. Gil conta mais uma estória de vida e fotografia, misturando pequeno-almoço, alho e felicidade com um fã no FB e uma carteira perdida. Só mesmo lendo vai entender.

Já sabemos que um bom pequeno-almoço é importante para um bom dia, especialmente quando é um dia de grande esforço, com muitas coisas variadas a serem feitas e muitas variáveis com que lidar. Ou que um bocadinho de alho, mesmo que ligeiro, a temperar um prato (peixe, carne ou vegetariano) desde o dia anterior, tem consequências na felicidade de quem vai comer essa refeição no almoço do dia seguinte. Alguém duvida que a probabilidade de haver mais felicidade é maior, depois do tal bom pequeno-almoço ou do tal alho a temperar a comida? Pois eu acredito, sem sequer entrar em exoterismos, que no meio de um conjunto de acontecimentos que parecem não se relacionar na vida, pode haver um fio condutor que nos faz encontrar uma lógica no aparente caos diário. Neste caso, ligando o pequeno-almoço e o alho à felicidade!

Isto faz-me lembrar do “Efeito Borboleta”, o famoso conceito que o matemático e meteorologista Edward Lorentz nos anos 60 do século XX publicou e apresentou aos seus alunos para muito espanto e admiração. É certo que o “Efeito Borboleta” se aplica mais a acontecimentos futuros, para a frente no tempo, muito dependentes de condições iniciais. É diferente de ter uma visão para trás, em que se analisa os acontecimentos passados para vir a encontrar uma determinada condição inicial que se vê ter sido fulcral. A viagem no tempo em sentido contrário é sem dúvida mais fácil se ser feita e, ainda, aproxima-se de algo que é mais fácil de entender que é uma cadeia “Causa-Efeito”. Quem gosta de Sherlock Holmes do Sir Arthur Conan Doyle entende a o que me refiro.

Artigo FD-30Mas atenção: uma coisa é dizer que a borboleta bate as asas no Atlântico, com possíveis resultados numa grande tempestade no Pacífico, porque as variáveis iniciais num evento pequeno podem mesmo vir a influir noutro grande; outra coisa é dizer que, se a borboleta não tivesse batido as asas, não teria havido a tal tempestade – isto não é o “Efeito Borboleta”. Mas há qualquer coisa de mágico nesta criação do Edward Lorentz, que nos cativa. Talvez seja o uso de um elemento tão frágil (a borboleta), contraposto a coisas que nos são tão ameaçadoras (as grandes tempestades); ou então por nos fazer lembrar que na Natureza muito se nos escapa das mãos, sem ser possível conhecê-la totalmente (e muito menos controla-la). Por isso, mantenho o título e a ideia, romantizando-a.

Esta fotografia foi tirada ao pôr-do-sol, num sábado de Workshop de Fotografia CAUSAS, nas Terras do Vidro (Marinha Grande e São Pedro de Moel). Estava a ser um dia grande, com participantes muito ativos, positivos e produtivos. Por isso, imagine-se pessoas atrás da lente, do lado direito e do esquerdo deste campo de visão, com tripés, máquinas e muita conversa. Não imaginava eu que, nesse mesmo momento e noutro local, um acontecimento “quase” completamente independente estava a suceder. Era uma realidade totalmente alheia à nossa, mas que iria convergir com a nossa. Daí o “quase”.
Maria caminha pelas ruas de São Pedro de Moel. Admira a luz do céu, ao pôr-do-sol. Aquele momento fugaz era digno de ser capturado. Mesmo que se repita tantas vezes na sua vida e naquele local que conhece tão bem, não deixa de a surpreender e cativar o olhar. E como gosta de Fotografia, era o momento para usar a máquina e disparar. Tira a máquina da mala e… “Clique”.

Ao voltarmos da praia, uma das participantes do Workshop telefona ao amigo que ficara durante o dia em São Pedro, combinando o encontro no café onde ele estava. Todos seguem no carro com boa conversa, boas energias e boas cores na pele. Entramos no café, mas descobrimos que não era nesse mas sim noutro. E ao voltarmos para a rua, na esquina desse café, vejo no chão uma carteira de senhora. Era enorme, confundindo-se com as pedras da calçada.

Era a primeira vez que abria a carteira de uma pessoa desconhecida. Quase me estava a parecer violar a privacidade de alguém. Mas tinha que tentar encontrar um número de telefone, uma fotografia, uma referência útil a alguém que corria o risco de estar a perder 2 cartões de crédito, 2 cartões de códigos de acesso web-banking, vários outros cartões e algumas dezenas de euros. Volto ao café, mas sem BI ou CC dentro da carteira, ou qualquer fotografia, não me conseguem ajudar. Deixo recado em como eu iria entregar a carteira na GNR, caso a dona chamada “Maria” aparecesse. E começo a pensar na coincidência das coisas: “Se tivéssemos passado uns minutos mais tarde, a carteira já não estaria ali”; “se não nos tivéssemos enganado no café, se calhar não tinha sido encontrada”.

Já no outro café todos comentamos o acontecimento. O meu plano era, depois do café, entregar a dita carteira no quartel, muito simplesmente. Mas insisto. Depois de ver os talões de compras, uma vez mais entrando da carteira da “Maria”, concluo ser alguém da zona, com um recibo de quotas dos bombeiros voluntários locais em seu nome. “Tem alguma lista telefónica?”, pergunto no café. E não é que encontro o nome completo na lista telefónica da zona? Telefono: “Estou?”, “Estou, sim”, e explico porque estava a telefonar.

Passados uns minutos, depois de a Maria chegar ao café e me descrever corretamente a carteira, diz a todos, “Ah!... Foi quando tirei a minha máquina fotográfica para apanhar o pôr-do-sol. Estava tão bonito”. Rindo-me, acabei por lhe dizer que, no final de contas, se tinha sido pela Fotografia que tinha perdido a carteira, também fora pela Fotografia que eu a tinha encontrado, ao passar no local no final do dia dum Workshop CAUSAS na zona.
Depois do jantar, no retorno ao quarto e fazendo o balanço de um dia cheio de variadas coisas e tantas variáveis, penso como tudo tinha corrido muito bem. O Workshop, uma carteira encontrada, bons e contentes participantes, bom ânimo para despertar cedo no dia seguinte. E, ainda,… uma nova fã na página do FB da Alma Lux Photographia. A “Maria”!

Nota sobre o texto: segue o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

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